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Sangue na Urina (Hematúria): Quando é Urgência e Como Investigar?
sexta-feira, 04 setembro 2026 / Publicado em Blog

Sangue na Urina (Hematúria): Quando é Urgência e Como Investigar?

A presença de sangue na urina pode ocorrer por infecção, cálculo ou outras condições benignas. Também pode ser o primeiro sinal de um tumor. A diferença não pode ser definida apenas pela dor ou pela aparência da urina.

O que você vai encontrar neste artigo: Neste artigo, você entenderá o que significa encontrar sangue na urina e por que esse sinal precisa ser avaliado, mesmo quando aparece apenas uma vez ou não causa dor. O objetivo é ajudá-lo a reconhecer situações que exigem atendimento imediato e compreender como o urologista investiga a origem do sangramento.

Ao longo da leitura, você encontrará:

  • a diferença entre hematúria visível e microscópica.
  • os sinais que indicam a necessidade de pronto atendimento.
  • as causas mais comuns, como infecção, cálculo e aumento benigno da próstata.
  • os fatores que aumentam a preocupação com tumores do sistema urinário.
  • o papel dos exames de urina, da imagem e da cistoscopia na investigação.

Ver sangue na urina costuma causar preocupação imediata. A reação é compreensível. A cor pode variar de rosa claro a vermelho vivo ou marrom, e até uma pequena quantidade de sangue consegue alterar bastante o aspecto da urina.

Na medicina, esse achado recebe o nome de hematúria. Ele não é uma doença, mas um sinal de que existe sangramento em algum ponto do sistema urinário. A origem pode estar nos rins, ureteres, bexiga, próstata ou uretra.

Na maioria das vezes, existe uma causa tratável. Ainda assim, não é seguro concluir que o episódio foi simples porque aconteceu apenas uma vez, parou sozinho ou não provocou dor.

Minha visão no consultório: a pergunta mais útil não é “quanto sangue apareceu?”, mas “de onde veio e por quê?”. O volume e a cor nem sempre refletem a gravidade. Uma investigação bem indicada procura a causa sem criar pânico e sem perder o momento de diagnosticar uma doença importante.

O que significa ter sangue na urina?

A hematúria acontece quando glóbulos vermelhos entram na urina. Isso pode ocorrer em qualquer parte do trajeto percorrido por ela:

  • rins, onde a urina é produzida.
  • ureteres, que levam a urina até a bexiga.
  • bexiga, onde ela fica armazenada.
  • próstata e uretra, por onde a urina é eliminada.
Sangue na urina: de onde pode vir?
A hematúria pode ter origem em diferentes partes do sistema urinário. Identificar o local e a causa orienta a investigação.

Nem toda urina avermelhada contém sangue. Beterraba, alguns corantes e medicamentos podem mudar sua cor. Mesmo assim, quando houver dúvida, o mais seguro é fazer uma avaliação e um exame de urina.

Hematúria (sangue na urina) visível e hematúria microscópica: qual é a diferença?

Existem duas formas principais de apresentação.

Hematúria macroscópica ou visível

É aquela percebida a olho nu. A urina pode ficar rosada, vermelha ou escura. Algumas pessoas também eliminam coágulos.

Mesmo um único episódio merece avaliação médica. O fato de a urina voltar ao normal não confirma que a causa desapareceu.

Hematúria microscópica

Nesse caso, a urina parece normal. Os glóbulos vermelhos são encontrados no exame laboratorial.

As diretrizes da American Urological Association definem micro-hematúria como três ou mais glóbulos vermelhos por campo na análise microscópica de uma amostra coletada de forma adequada. Um teste de fita positivo, isoladamente, não basta para confirmar o diagnóstico.

A hematúria microscópica também precisa ser interpretada. A idade, o histórico de tabagismo, a quantidade de células, a persistência do achado e outros fatores modificam o risco.

Sangue na urina é sempre uma urgência?

Todo episódio precisa de atenção, mas nem todos exigem atendimento em pronto-socorro.

Procure atendimento imediato se houver:

  • coágulos ou dificuldade para urinar.
  • incapacidade de esvaziar a bexiga.
  • sangramento intenso ou que está aumentando.
  • tontura, fraqueza, palidez ou falta de ar.
  • febre ou calafrios junto com dor nas costas.
  • dor forte, vômitos persistentes ou mal-estar importante.
  • sangramento após trauma na região abdominal ou lombar.

Esses sinais podem indicar retenção por coágulos, perda relevante de sangue ou infecção associada à obstrução urinária.

Se a pessoa está bem, consegue urinar e não apresenta esses sintomas, o primeiro passo costuma ser marcar uma avaliação médica em curto prazo. Isso não significa esperar semanas para ver se o problema volta.

Sangue na urina quando procurar ajuda
Coágulos, dificuldade para urinar, febre com dor lombar ou sangramento intenso exigem atendimento imediato. Mesmo sem esses sinais, a hematúria precisa ser avaliada.

Quais são as causas mais comuns de sangue na urina?

A presença de sangue tem várias explicações possíveis. Os sintomas associados ajudam, mas não estabelecem o diagnóstico sozinhos.

Infecção urinária

Ardência, urgência para urinar, aumento da frequência e dor na parte baixa do abdome podem sugerir infecção. Febre e dor lombar levantam a possibilidade de comprometimento dos rins.

O diagnóstico deve ser confirmado com exame de urina e, em muitos casos, urocultura. Depois do tratamento, pode ser necessário repetir o exame para confirmar que a hematúria desapareceu.

Em homens, infecções urinárias merecem uma avaliação cuidadosa. Automedicar-se com antibióticos pode mascarar sintomas, alterar a cultura e atrasar a identificação da causa.

Cálculos urinários

Uma pedra no rim ou no ureter pode causar sangue na urina. A apresentação típica é uma dor intensa na lateral das costas, que pode irradiar para o abdome ou a virilha. Náuseas e inquietação também são comuns.

Nem todo cálculo evolui de forma simples. A combinação de pedra, obstrução e infecção pode ser uma emergência. Febre ou calafrios junto com cólica renal exigem atendimento imediato.

Saiba mais sobre cálculo urinário.

Aumento benigno da próstata

A hiperplasia prostática benigna pode favorecer sangramentos, sobretudo em homens mais velhos. Ela também pode causar jato fraco, demora para começar a urinar e sensação de esvaziamento incompleto.

Mesmo quando a próstata parece uma explicação provável, não devemos atribuir o sangue a ela antes de avaliar o restante do sistema urinário.

Doenças dos rins

Algumas doenças que afetam os filtros microscópicos dos rins também causam hematúria. Proteína na urina, pressão alta, inchaço ou alteração da função renal aumentam essa suspeita.

Nessas situações, a avaliação do nefrologista pode ser necessária. Isso não exclui uma investigação urológica quando existirem fatores de risco.

Exercício, trauma ou procedimentos recentes

Atividade física muito intensa, trauma, passagem de sonda, biópsias e cirurgias podem provocar sangramento transitório. O contexto e o tempo de evolução ajudam a decidir se são necessários outros exames.

Tumores do sistema urinário

O sangue pode ser o primeiro sinal de um tumor da bexiga, dos rins ou dos ureteres. Isso não significa que toda hematúria seja câncer. Significa que essa possibilidade precisa ser afastada quando o perfil do paciente e a forma de apresentação justificarem.

Sangue na urina sem dor merece mais atenção?

A ausência de dor não torna o episódio menos importante. Na prática, a hematúria visível, indolor e intermitente é uma apresentação clássica do câncer de bexiga.

O sangramento pode aparecer em um dia e desaparecer no seguinte. Essa melhora espontânea não permite concluir que o problema foi resolvido. Uma lesão pode parar de sangrar por algum tempo e voltar a se manifestar depois.

Uma revisão sistemática de 44 estudos encontrou câncer de bexiga em cerca de 17% dos pacientes investigados por hematúria visível. Na hematúria não visível, a taxa agrupada foi de 3,3%. Esses números vieram de populações encaminhadas para investigação e não representam o risco individual de todas as pessoas.

O objetivo desses dados não é criar medo. Eles mostram por que o sangramento, sobretudo quando visível, não deve ser ignorado.

Para entender melhor essa possibilidade, consulte também a página sobre câncer de bexiga e câncer de rim.

Quem apresenta maior risco de uma causa importante de sangue na urina?

Algumas características aumentam a preocupação com tumores do trato urinário:

  • idade mais avançada.
  • histórico atual ou anterior de tabagismo.
  • sangue visível na urina.
  • hematúria microscópica persistente ou em maior quantidade.
  • sexo masculino.
  • exposição profissional prolongada a determinados produtos químicos.
  • radioterapia prévia na pelve.
  • uso anterior de medicamentos como ciclofosfamida.
  • histórico de tumor urológico ou de algumas síndromes hereditárias.

O cigarro merece destaque. Substâncias do tabaco entram na circulação, são filtradas pelos rins e permanecem em contato com a parede da bexiga. Segundo as diretrizes europeias, o tabagismo está relacionado a aproximadamente metade dos casos de câncer de bexiga.

Pessoas jovens e sem fatores de risco também devem procurar orientação. O perfil de risco define a extensão e a urgência da investigação, não se o sintoma pode ser simplesmente ignorado.

E se eu uso anticoagulante ou AAS?

Anticoagulantes e medicamentos que reduzem a agregação das plaquetas podem facilitar ou intensificar um sangramento. No entanto, eles não devem ser considerados automaticamente a única causa.

A investigação da hematúria segue os mesmos princípios de quem não usa esses medicamentos. Às vezes, o remédio torna visível um sangramento que começou por cálculo, inflamação ou lesão do trato urinário.

Não interrompa anticoagulantes ou AAS por conta própria. A decisão precisa considerar o risco de trombose, infarto ou acidente vascular cerebral e deve ser tomada pelo médico responsável.

Como o urologista investiga a hematúria (sangue na urina)?

Não existe um exame único que responda a todas as perguntas. A investigação combina história clínica, exames laboratoriais, imagem e, em casos selecionados, avaliação direta da bexiga.

1. História clínica e exames de laboratório

O primeiro passo é entender como o sangramento ocorreu. Dor, febre, coágulos, sintomas urinários, medicamentos, tabagismo, cirurgias e tratamentos anteriores fazem diferença.

Os exames podem incluir:

  • urina tipo 1 com análise microscópica.
  • urocultura, quando houver suspeita de infecção.
  • creatinina e estimativa da função renal.
  • avaliação de proteína na urina, em situações selecionadas.
  • hemograma, quando o sangramento for relevante ou prolongado.

2. Exames de imagem escolhidos conforme o risco

Ultrassonografia, tomografia e ressonância podem ser usadas para examinar os rins e as vias urinárias. A escolha não é igual para todos.

Na micro-hematúria de risco baixo ou desprezível, as diretrizes atuais permitem repetir o exame de urina antes de realizar uma investigação invasiva. Nos pacientes de risco intermediário, a avaliação costuma incluir ultrassom dos rins e da bexiga, além da cistoscopia.

Quando o risco é alto ou existe hematúria visível, a urotomografia costuma ter papel importante, desde que não haja contraindicação ao contraste. Ela avalia o tecido dos rins e o revestimento dos ureteres e da bexiga. Em situações específicas, a ressonância ou o ultrassom podem ser alternativas.

3. Cistoscopia: a visão direta da bexiga

A cistoscopia utiliza um instrumento fino com câmera para examinar a uretra e o interior da bexiga. Ela é importante porque algumas lesões pequenas ou planas podem não ser identificadas apenas pelos exames de imagem.

Na maior parte das avaliações diagnósticas, é possível utilizar um aparelho flexível, gel anestésico local e realizar o procedimento de forma ambulatorial. O desconforto costuma ser breve. Sedação pode ser considerada conforme o contexto e o local onde o exame é realizado.

A tomografia e a cistoscopia respondem a perguntas diferentes. Uma examina melhor os rins e os ureteres; a outra permite observar diretamente a superfície interna da bexiga. Em pacientes de maior risco, elas são complementares.

4. Citologia urinária e outras avaliações

A citologia procura células anormais eliminadas na urina. Ela pode complementar a investigação em situações selecionadas, principalmente quando existe preocupação com tumores de alto grau. Não substitui a cistoscopia.

Se houver sinais de doença nos filtros dos rins, o acompanhamento com nefrologista também pode fazer parte do plano.

Se a infecção for tratada, ainda preciso investigar?

Depende do contexto. Quando os sintomas, a cultura e a evolução confirmam uma infecção, o primeiro passo é tratá-la corretamente. Depois, o exame de urina pode ser repetido para verificar se o sangue desapareceu.

Se a hematúria persistir, reaparecer ou tiver sido visível, uma avaliação urológica pode continuar indicada. O mesmo vale quando existem idade avançada, tabagismo ou outros fatores de risco.

Tratar uma infecção não deve encerrar automaticamente a investigação quando o padrão do sangramento permanece suspeito.

O que acontece se todos os exames forem normais?

Uma investigação negativa é uma boa notícia. Ela reduz de forma importante a chance de uma doença relevante naquele momento.

O seguimento é individual. Ele considera o grau e a persistência da hematúria, os fatores de risco e o aparecimento de novos sintomas. Se surgir sangue visível, aumento do sangramento ou uma mudança clínica, o caso deve ser reavaliado.

Como se preparar para a consulta?

Algumas informações tornam a avaliação mais precisa:

  • quando o sangue apareceu e quantas vezes ocorreu.
  • se havia dor, febre, ardência ou coágulos.
  • fotografias da urina, quando disponíveis e feitas com discrição.
  • lista de medicamentos, inclusive anticoagulantes e AAS.
  • histórico de tabagismo.
  • exames de urina e de imagem já realizados.
  • cirurgias, radioterapia ou tratamentos urológicos anteriores.

Esses dados ajudam a definir quais exames realmente agregam valor e evitam repetições desnecessárias.

Perguntas frequentes sobre sangue na urina

Sangue na urina é sempre câncer?

Não. Infecção, cálculo, aumento benigno da próstata, trauma e doenças renais são causas possíveis. Entretanto, tumores também podem provocar hematúria. A avaliação serve para distinguir essas situações.

Se aconteceu apenas uma vez, preciso procurar o urologista?

Sim, principalmente quando o sangue foi visível. Um episódio isolado pode ser a única manifestação inicial de uma doença do trato urinário.

A ausência de dor é um bom sinal?

Não necessariamente. O sangramento indolor e intermitente merece atenção porque pode ocorrer em tumores da bexiga ou dos rins.

Sangue encontrado apenas no exame de urina também precisa ser investigado?

Precisa ser confirmado e interpretado. A investigação depende da quantidade de glóbulos vermelhos, da persistência do achado e do perfil de risco.

A cistoscopia pode ser substituída pela tomografia?

Nem sempre. Os exames são complementares. A tomografia avalia melhor os rins e os ureteres, enquanto a cistoscopia permite observar diretamente o interior da bexiga.

Posso esperar o sangue aparecer novamente?

Não é recomendável. O sangramento pode ser intermitente mesmo quando existe uma causa que precisa de tratamento.

Conclusão: investigar sem pânico, mas sem demora

Sangue na urina não significa automaticamente câncer nem uma emergência hospitalar. Também não é um sintoma que deve ser observado indefinidamente em casa.

A prioridade é reconhecer os sinais que exigem pronto atendimento. Depois, precisamos confirmar a hematúria, avaliar o perfil de risco e escolher os exames adequados. Esse caminho evita tanto investigações excessivas quanto atrasos perigosos.

Quando um tumor da bexiga ou do rim é identificado em fase inicial, muitas vezes existem opções de tratamento com alta possibilidade de controle e preservação do órgão. Por isso, investigar cedo não deve ser visto apenas como uma busca por problemas. É uma oportunidade de obter clareza e agir no momento certo.

Se você percebeu sangue na urina ou recebeu um exame com hematúria, uma avaliação individual pode definir a urgência e o próximo passo. Na consulta, também é possível revisar exames anteriores e organizar a investigação com critérios objetivos.

Sobre o especialista

O Dr. Maurício Murce Rocha é urologista com atuação em uro-oncologia, cirurgia robótica e tratamentos minimamente invasivos. Atua no A.C. Camargo Cancer Center e acompanha pacientes durante a investigação e o tratamento de tumores da próstata, bexiga, rins e outros órgãos do sistema urinário.

Sua prática integra avaliação clínica, exames de imagem, endoscopia e análise anatomopatológica para definir condutas individualizadas, com atenção ao controle da doença e à preservação da qualidade de vida.

CRM-SP: 133.691 | RQE: 97.726

Referências médicas para aprofundamento

  1. American Urological Association; Society of Urodynamics, Female Pelvic Medicine & Urogenital Reconstruction. Microhematuria: AUA/SUFU Guideline — atualização de 2025.
  2. European Association of Urology. EAU Guidelines on Non-muscle-invasive Bladder Cancer — Diagnosis. Atualização de 2026.
  3. Jubber I, et al. Systematic Review of the Incidence of and Risk Factors for Urothelial Cancers and Renal Cell Carcinoma Among Patients with Haematuria. European Urology. 2022;82(2):182-192. DOI: 10.1016/j.eururo.2022.03.027.
  4. Tan WS, et al. Who Should Be Investigated for Haematuria? Results of a Contemporary Prospective Observational Study of 3,556 Patients. European Urology. 2018;74(1):10-14. DOI: 10.1016/j.eururo.2018.03.008.
  5. National Institute for Health and Care Excellence. Suspected cancer: recognition and referral — haematuria. Atualização de 2026.

Aviso: este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui uma avaliação médica. Sangramento intenso, coágulos com dificuldade para urinar, febre com dor lombar, fraqueza ou tontura exigem atendimento imediato.

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