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Representação do câncer de próstata metastático cercado por diferentes frentes de tratamento combinado e de precisão.
segunda-feira, 14 setembro 2026 / Publicado em Blog

Tratamento do Câncer de Próstata Metastático: O que Mudou nos Últimos Anos?

O diagnóstico continua sério. No entanto, novas combinações permitem controlar melhor a doença e preservar a qualidade de vida por mais tempo.

O que você vai encontrar neste artigo: Você entenderá como o tratamento do câncer de próstata metastático mudou nos últimos anos. O bloqueio da testosterona continua sendo a base. Porém, hoje quase sempre avaliamos se vale a pena acrescentar outro tratamento desde o início.

Ao longo da leitura, você encontrará:

  • o que significa ter câncer de próstata com metástases;
  • por que o bloqueio hormonal isolado deixou de ser a única estratégia;
  • quando medicamentos modernos, quimioterapia e radioterapia podem ajudar;
  • como genética, PSMA e controle dos efeitos colaterais ampliaram o cuidado.

Receber um diagnóstico de metástases provoca medo. Entretanto, ele já não significa ausência de alternativas.

Em geral, ainda buscamos controle prolongado, e não cura definitiva. Mesmo assim, muitos homens vivem por mais tempo e com boa qualidade de vida. Além disso, existem tratamentos para momentos diferentes.

Minha visão no consultório: o avanço não veio apenas de novos medicamentos. Aprendemos a tratar mais cedo, combinar estratégias e planejar os próximos passos desde o diagnóstico.

O que significa câncer de próstata metastático?

O câncer se torna metastático quando algumas células saem da próstata e alcançam outras regiões. Em geral, ossos e linfonodos são os locais mais frequentes. Outros órgãos também podem apresentar lesões.

No entanto, a palavra “metastático” reúne situações muito diferentes. Um homem pode apresentar poucos focos anos depois de uma cirurgia. Outro pode receber o diagnóstico inicial com várias lesões e dor óssea.

Por isso, o médico procura responder:

  • quando, onde e em qual quantidade as metástases apareceram;
  • existem sintomas ou risco de complicações;
  • quais tratamentos já foram realizados;
  • como estão a saúde geral e a disposição física;
  • o tumor apresenta características que permitem uma terapia específica.

Essas respostas ajudam a definir a intensidade e a sequência do tratamento.

Como começa o tratamento do câncer de próstata metastático?

A maioria desses tumores depende da testosterona para crescer. Portanto, o primeiro passo costuma ser reduzir bastante a produção desse hormônio.

Esse tratamento recebe o nome de terapia de privação androgênica, ou ADT. Na prática, muitos o conhecem como bloqueio hormonal.

Durante décadas, o bloqueio hormonal atuava sozinho no início. A equipe acrescentava outro tratamento apenas quando a doença voltava a crescer.

Hoje, grandes pesquisas mostram que muitos homens se beneficiam quando a equipe age mais cedo. Assim, o bloqueio hormonal permanece como base, mas recebe o reforço de outro medicamento ou, em situações selecionadas, da quimioterapia.

Isso não significa que todos devem receber o mesmo esquema. Pelo contrário, o benefício precisa compensar os possíveis efeitos adversos.

Por que usar combinações no tratamento do câncer de próstata metastático desde o início?

Mesmo com a testosterona muito baixa, algumas células tumorais conseguem manter sinais que estimulam seu crescimento. Os medicamentos hormonais mais modernos bloqueiam esses caminhos com maior intensidade.

Entre as opções estão abiraterona, enzalutamida, apalutamida e darolutamida. O paciente não precisa memorizar os nomes. O ponto principal é que elas exigem cuidados diferentes. Por exemplo, algumas pedem atenção maior à pressão, ao coração, ao fígado ou às interações medicamentosas.

Portanto, a escolha considera as características do câncer e também a saúde do paciente. Custo, acesso ao medicamento e preferência pessoal também entram na decisão.

Infográfico compara o uso tradicional da ADT isolada com a estratégia atual de terapia dupla, terapia tripla e radioterapia em pacientes selecionados.
A ADT continua como base, mas a estratégia atual pode acrescentar novos tratamentos desde o início, conforme as características da doença e do paciente.

Quando a quimioterapia pode fazer parte do primeiro tratamento?

A quimioterapia com docetaxel já não representa apenas um recurso para as fases finais. Atualmente, pode participar do tratamento inicial diante de grande volume, progressão rápida ou sintomas.

Em alguns pacientes, a equipe combina três frentes: bloqueio hormonal, docetaxel e um medicamento hormonal moderno. Esse esquema recebe o nome de terapia tripla.

No entanto, mais tratamento não significa automaticamente melhor tratamento. A terapia tripla exige avaliação cuidadosa. Em vez da idade isolada, o médico considera disposição, outras doenças, fragilidade e objetivos pessoais.

A radioterapia pode ajudar no tratamento do câncer de próstata metastático?

Sim, em situações específicas. Quando o paciente já apresenta metástases no primeiro diagnóstico, mas possui baixo volume de doença, a radioterapia da próstata pode aumentar o controle e prolongar a vida.

Nesse cenário, a radioterapia não substitui os medicamentos. Ela atua junto com o tratamento sistêmico. Além disso, quando existem poucos focos, a radioterapia de alta precisão pode tratá-los diretamente.

Essa estratégia pode retardar a progressão em situações selecionadas. Contudo, ainda não devemos apresentá-la como cura nem como substituta automática do tratamento sistêmico.

O que acontece quando o câncer se torna resistente ao bloqueio hormonal?

Com o tempo, algumas células aprendem a crescer mesmo com a testosterona muito baixa. Os médicos chamam essa fase de câncer de próstata resistente à castração.

O nome pode assustar. Porém, ele não significa que todas as opções acabaram. Em geral, o paciente mantém o bloqueio hormonal e recebe outro tratamento.

Nesse momento, a escolha depende muito do que ele já utilizou. Quimioterapia, novos medicamentos, terapias-alvo e radiofármacos podem fazer parte da sequência.

Consequentemente, planejar as etapas desde o início ajuda a evitar repetições pouco eficazes e a preservar boas opções para o futuro.

Como os testes genéticos ajudam a escolher o tratamento no câncer de próstata metastático?

O câncer de próstata metastático também pode carregar alterações genéticas que influenciam sua resposta aos medicamentos.

Primeiro, o teste germinativo procura alterações herdadas no sangue ou na saliva. Como o resultado pode interessar aos parentes, o aconselhamento genético ajuda a orientar a família.

Por outro lado, o teste do tumor procura alterações das células do câncer. Ele pode usar uma biópsia, uma metástase ou DNA tumoral presente no sangue.

Alterações em genes como BRCA1 e BRCA2 podem abrir caminho para medicamentos chamados inibidores de PARP. Eles exploram uma dificuldade da célula tumoral em reparar seu próprio DNA.

Ainda assim, encontrar uma alteração não basta. Genes diferentes não respondem da mesma maneira. Além disso, esses medicamentos podem causar anemia e outros efeitos. Por isso, o especialista interpreta o resultado dentro do contexto clínico.

O que são PET-CT com PSMA e tratamento com lutécio?

O PSMA é uma proteína presente na superfície de muitas células do câncer de próstata. Dessa forma, ele pode funcionar como um endereço para localizar e tratar a doença.

Primeiro, o PET-CT com PSMA mostra onde o marcador se concentra. Depois, em pacientes elegíveis, o lutécio-177-PSMA leva uma radiação de curto alcance até essas células.

Esse conceito recebe o nome de teranóstica, pois une diagnóstico e tratamento por meio do mesmo alvo.

Saiba mais sobre o uso do PET-CT com PSMA no câncer de próstata.

Grandes estudos demonstraram que o lutécio pode prolongar o controle e a sobrevida em determinados pacientes. Entretanto, um PET positivo não garante a indicação.

Também precisamos avaliar a fase da doença, os tratamentos anteriores, o padrão de todas as lesões, a medula óssea e a função dos rins.

Controlar a doença também significa cuidar da qualidade de vida

O bloqueio hormonal pode reduzir massa muscular, aumentar gordura corporal e enfraquecer os ossos. Além disso, alguns tratamentos elevam o risco de pressão alta, quedas e problemas cardiovasculares.

Por isso, um plano completo pode incluir:

  • exercícios de força e atividades aeróbicas;
  • avaliação da densidade dos ossos e do risco de fratura;
  • controle de pressão, glicemia, colesterol e peso;
  • orientação sobre cálcio, vitamina D e proteção óssea;
  • tratamento da dor e apoio nutricional, emocional e sexual.

Além disso, o acompanhamento não deve depender apenas do PSA. Sintomas, exames de sangue e imagens também podem revelar mudanças importantes.

Cuidados paliativos podem participar desse acompanhamento quando necessários. Eles não significam desistência. Ao contrário, ajudam a controlar sintomas e preservar autonomia enquanto o tratamento contra o câncer continua.

Como o especialista escolhe a melhor sequência?

Hoje, existem várias opções eficazes. No entanto, nenhuma ordem funciona melhor para todos.

Na prática, cinco perguntas ajudam a organizar a decisão:

  1. A doença ainda responde à redução da testosterona?
  2. Qual é a quantidade, o local e a velocidade das metástases?
  3. Quais tratamentos já foram utilizados e por quanto tempo funcionaram?
  4. Existem alterações genéticas ou expressão de PSMA que abrem novas opções?
  5. Qual estratégia equilibra melhor controle, riscos e prioridades pessoais?

Assim, o melhor plano não é necessariamente o mais intenso. É aquele que usa a ferramenta certa, no momento adequado, sem perder de vista as etapas seguintes.

Infográfico mostra como fase da doença, extensão das metástases, biologia tumoral, saúde e preferências personalizam o tratamento do câncer de próstata metastático.
Infográfico mostra como fase da doença, extensão das metástases, biologia tumoral, saúde e preferências personalizam o tratamento do câncer de próstata metastático.

Perguntas frequentes sobre o tratamento do câncer de próstata metastático

O câncer de próstata metastático tem cura?

Na maioria dos casos, buscamos controle prolongado. Alguns homens apresentam remissões muito longas. Entretanto, não podemos prometer cura. O prognóstico depende da extensão e da resposta.

Todo paciente precisa fazer quimioterapia?

Não. Muitos começam com bloqueio hormonal e um medicamento moderno. Por outro lado, a equipe considera quimioterapia quando espera benefício adicional e o paciente consegue tolerá-la.

O bloqueio hormonal continua quando surge resistência?

Em geral, sim. Assim, o médico mantém a testosterona baixa e acrescenta opções adequadas à nova fase.

Uma mutação em BRCA pode afetar meus familiares?

Pode, quando a alteração é herdada. Nesse caso, o aconselhamento genético orienta o paciente e a família. Uma mutação presente apenas no tumor não significa, automaticamente, que os parentes também a possuem.

Um PET-CT com PSMA positivo garante o tratamento com lutécio?

Não. Além do exame, o especialista considera a fase, os tratamentos anteriores, o sangue, os rins e o padrão das lesões.

Quais sintomas exigem avaliação imediata?

Dor intensa na coluna, fraqueza nas pernas, perda do controle da urina ou do intestino e suspeita de fratura exigem atendimento rápido. Esses sinais podem indicar compressão da medula ou outra complicação óssea.

Conclusão: mais opções exigem uma estratégia individual

O tratamento do câncer de próstata metastático deixou de seguir uma única linha. O bloqueio hormonal continua como base. Porém, muitos pacientes se beneficiam quando outra terapia entra desde o começo.

Medicamentos hormonais modernos, quimioterapia e radioterapia ampliaram o controle da doença. Além disso, testes genéticos, inibidores de PARP e lutécio-177-PSMA criaram caminhos para grupos específicos.

Esse avanço não torna todos os tratamentos adequados para todos. Pelo contrário, quanto maior o número de opções, mais importante se torna escolher e organizar cada etapa.

Se você recebeu esse diagnóstico ou precisa rever uma estratégia em andamento, uma avaliação especializada pode integrar laudos, imagens, tratamentos anteriores e testes moleculares. Dessa forma, é possível buscar longevidade sem abandonar a qualidade de vida.

Conheça minha atuação no tratamento do câncer de próstata.

Sobre o especialista

O Dr. Maurício Murce Rocha é urologista com atuação em uro-oncologia, cirurgia robótica e terapias minimamente invasivas da próstata. Atua no A.C. Camargo Cancer Center e participa do cuidado multidisciplinar de pacientes com câncer de próstata. Em sua avaliação, integra informações clínicas, exames de imagem, anatomopatológico e testes moleculares.

CRM-SP: 133.691 | RQE: 97.726

Referências médicas para aprofundamento

  1. Childs DS, et al. Advances in systemic therapies for advanced prostate cancer. BMJ. 2026;394:e085211. DOI: 10.1136/bmj-2025-085211.
  2. European Association of Urology. EAU Guidelines on Prostate Cancer — Treatment. Atualização de 2026.
  3. ASCO. Systemic Therapy in Patients With Metastatic Castration-Resistant Prostate Cancer: Living Guideline, Version 2026.1. Journal of Clinical Oncology. 2026. DOI: 10.1200/JCO-25-02693.
  4. Yu EY, et al. Germline and Somatic Genomic Testing for Metastatic Prostate Cancer: ASCO Guideline. Journal of Clinical Oncology. 2025;43:748-758. DOI: 10.1200/JCO-24-02608.
  5. Smith MR, et al. Darolutamide and Survival in Metastatic, Hormone-Sensitive Prostate Cancer. New England Journal of Medicine. 2022;386:1132-1142. DOI: 10.1056/NEJMoa2119115.
  6. Fizazi K, et al. Abiraterone plus prednisone added to androgen deprivation therapy and docetaxel. The Lancet. 2022;399:1695-1707. DOI: 10.1016/S0140-6736(22)00367-1.
  7. Parker CC, et al. Radiotherapy to the primary tumour for newly diagnosed, metastatic prostate cancer. The Lancet. 2018;392:2353-2366. DOI: 10.1016/S0140-6736(18)32486-3.
  8. de Bono J, et al. Olaparib for Metastatic Castration-Resistant Prostate Cancer. New England Journal of Medicine. 2020;382:2091-2102. DOI: 10.1056/NEJMoa1911440.
  9. Sartor O, et al. Lutetium-177–PSMA-617 for Metastatic Castration-Resistant Prostate Cancer. New England Journal of Medicine. 2021;385:1091-1103. DOI: 10.1056/NEJMoa2107322.
  10. Morris MJ, et al. Lutetium-177-PSMA-617 versus a change of androgen receptor pathway inhibitor. The Lancet. 2024;404:1227-1239. DOI: 10.1016/S0140-6736(24)01653-2.

Aviso: este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui uma avaliação médica. A escolha e a sequência dos tratamentos dependem da fase da doença, dos exames, das condições clínicas e das preferências de cada paciente.

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